Empresas exportadoras investiram três vezes mais 2016

Inovação. A aposta no setor indústria promovida pelo Plano Nacional de Reformas resultou num crescimento e maior investimento. Em 2016 as empresas exportadoras cresceram 6,5% e investiram três vezes mais face ao investimento da economia como um todo, na sequência da aposta na inovação da indústria no contexto das medidas do Programa Nacional de Reformas. O anúncio foi feito ontem pelo ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, no debate dedicado à reabilitação urbana e à mobilidade sustentável que marcou o arranque do ciclo de seis debates sobre os primeiros 12 meses de execução do plano apresentado pelo Governo em abril de 2016.

“Já aprovámos mais de cinco mil milhões de projetos dirigidos à indústria”, confirmou o ministro, dando conta que “a esmagadora maioria” das 139 medidas do PNR já estão em execução e reafirmando que “o Programa Nacional de Reformas é o Norte deste Governo”. “Já produzimos resultados importantes e temos um caminho a longo prazo para Portugal ser mais competitivo e mais coeso”, referiu o responsável da pasta do Planeamento e Infraestruturas.

Num debate focado no pilar do PNR que dá destaque à valorização do território, o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, frisou mais uma vez o mais recente investimento de 156 milhões de euros em 516 novos autocarros não poluentes, movidos a eletricidade e gás natural, que serão adquiridos por 11 empresas de transportes de passageiros de todo o país (na sua maioria privadas) e que poderão estar em circulação nas estradas portuguesas entre 2018 e 2020. Matos Fernandes frisou ainda a surpresa do Governo face à enorme procura por estes veículos amigos do ambiente, já que o valor inicial era de 500 autocarros (um número “já de si bastante ambicioso”, frisou) e que acabou por crescer para 516 face ao interesse demonstrado pelas empresas candidatas.

O titular da pasta do Ambiente, na qual se inserem muitas das medidas do pilar da valorização do território, deu também destaque à criação de um novo modelo de economia circular, “com uma ambição acrescida”, no documento do Programa Nacional de Reformas que será entregue a Bruxelas no próximo mês. “Temos urgentemente de consumir menos matérias-primas e evoluir de uma economia linear para uma economia circular. Ou seja, garantir o acesso ao mesmo número de serviços, sem comprarmos mais bens”, defendeu, dando um exemplo: “Em vez de comprarmos berbequins, porque não contratamos serviços de empresas que fazem buracos na parede?”.

No balanço dos primeiros 12 meses de execução do PNR, o Governo lançou ontem um ciclo de seis debates, um por cada pilar estratégico do PNR, com a sociedade civil, stakeholders de cada setor e especialistas para debater os desafios que ainda persistem, num momento em que Portugal se prepara para apresentar, até ao final de abril o novo Programa Nacional de Reformas para 2017. “Todos os anos afinaremos as medidas do plano para compreender se estamos a executar bem as políticas ao longo do ciclo de implementação”, disse o ministro Pedro Marques. Por seu lado, o ministro do Ambiente disse que “o PNR é uma estratégia completa, que tem metas, prazos e é mensurável”.

Em cima da mesa, no debate de hoje, que teve lugar no Museu das Artes de Sintra, esteve o pilar da valorização do território, com especial enfoque para a reabilitação urbana e a mobilidade sustentável. Um dos temas salientados pelo secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, José Mendes, foi a expansão das linhas de Metro de Lisboa (linha amarela do Rato para o Cais do Sodré) e do Porto (linhas rosa e amarela), no valor de 500 milhões de euros. No total, as medidas do PNR dedicadas à mobilidade sustentável totalizarão 5.780 milhões de euros, disse o responsável. Para o presidente do Metro do Porto, Jorge Delgado, a expansão da rede trará uma “maior sustentabilidade para a empresa e melhorará a mobilidade das pessoas”, reduzindo ainda mais o número de veículos na área urbana e aumentando as validações diárias na rede de metro.

Bárbara Silva, Diário de Notícias

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